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      Cesárea x parto normal

      03/02/2016 POR Bruna Brenneisen

      As diferenças entre ambos são gritantes, interferindo diretamente na vida da mãe e do bebê, no entanto, além disso, a escolha do parto parece definir que tipo de mãe você é ou deixa de ser.

      Este texto é um grande desabafo, de algo que me marcou muito desde o momento em que me tornei mãe, e que certamente assola a vida de muitas outras mães pelo mundo afora. Toda gestante passa por uma série de dúvidas, reflexões, incertezas e faz inúmeras pesquisas, na internet, com outras mães, com médicos, enfim, são inúmeras as fontes procuradas para certificar-se de que cada decisão tomada é a melhor. Foi assim com a decisão de qual parto eu gostaria de ter. Na verdade, pra mim sempre foi óbvio e acertado, mesmo antes de engravidar. Quando engravidei e depois de muito me informar sabia que o certo a ser feito era um parto normal. Pesquisei, li livros, textos, assisti documentários, fiz exercícios e me dediquei como pude para que o parto normal acontecesse comigo tal como a palavra diz. Eu sabia da sua importância e justamente por isso o desejava tanto. 

      Eis que as coisas não saíram exatamente como planejado. Meu trabalho de parto foi um tanto complicado, a Clarinha não queria sair da barriga da mamãe e com 42 semanas foi preciso induzir o parto normal, visto que não existia nenhum sinal que ela queria sair de lá de dentro e o prazo para sua saída estava mais que no limite, pois sua vida saudável lá dentro estava comprometida. Já passo a me perguntar o que de normal, tem um parto que necessita de indução, mas até aí tudo bem. Era apenas preciso colocar um remédio no colo do útero que estimulasse o rompimento da bolsa amniótica. Depois de dois remédios aplicados e muitas horas de espera entrei em trabalho de parto. Sentia fortes dores, mas o progresso da dilatação demorava muito a acontecer. Vi muitas outras mãezinhas entrarem em trabalho de parto depois de mim, e saírem com seus bebês no colo bem antes. Ao longo de todo trabalho de parto foram inúmeras as posições, variadas as tentativas e muito o esforço para que a Clarinha saísse. De fato dei tudo de mim, afinal naquele momento a dor pode ser intensa, mas ela não tira o foco principal, que é o nascimento do seu filho. Pelo contrário, quanto mais dor eu sentia, mais eu queria ter minha filha nos braços e mais eu pedia pra ela vir ao mundo. Depois de muitas horas cheguei a dilatação total, o que indicava que apenas mais algumas forças e ela sairia. Mas também não foi assim, fiquei 4 horas e meia com os 10 centímetros de dilatação, fazendo tudo que podia e ela não saia. Foi quando notei que não dependia mais de mim. Foi quando as enfermeiras e o médico constataram isso. Muitos fatores faziam com que a Clara descesse e subisse novamente, ela estava grande demais e devido ao grande aumento de peso que tive, ela não podia passar pelo canal vaginal, mesmo com toda dilatação. Ela já estava entrando em sofrimento fetal: não havia escolha, teria que ser encaminhada para uma cesárea às pressas.

      Naquele momento, apesar de toda dor e cansaço, eu estava com muito medo. Tudo que li sobre os benefícios do parto normal? Não estava preocupada comigo, mas com minha neném. Havia lido semanas antes sobre quanto o parto normal pode estreitar os laços entre a mãe e o seu bebê. Eu não teria esse estreitamento com minha filha? Não era isso que eu desejei. Recordo-me de que depois que me preparam para cirurgia e permitiram a entrada do meu esposo, ainda com muitas dores das contrações, eu compartilhei com ele desse meu medo e ele tentou me tranquilizar. O anestesista ao lado ouviu o que eu falei e também me acalmou dizendo que não tinha porque me preocupar com isso naquele momento, e disse ainda que ele também havia nascido de parto cesárea e era muito unido e amigo de sua mãe. As palavras me confortaram, mas eu seguia preocupada. Esse já era o momento final que antecedia a chegada da Clara, já havia recebido a anestesia, mas antes disso havia passado por mais alguns momentos difíceis, justamente com a aplicação da mesma. Foram exatamente 16 picadas até ela pegar. Não havia explicação, era picada atrás de picada e ela simplesmente não ‘funcionava’. Não sei dizer em termos técnicos o que houve, até porque eles nunca me passaram, só sei dizer o que sentia. Tinha que ficar imóvel, sentada, com muita dor, parecendo que minha filha iria sair comigo ali sentada esperando as injeções, visto que eu estava totalmente dilatada, enquanto eles tentavam encontrar o lugar certo e diziam que não sabiam o porque não estava dando certo e que isso nunca havia acontecido antes. Mesmo em meio a dor, tive certa compaixão do anestesista, pois estava visivelmente apreensivo com a situação e desde o primeiro atendimento havia sido muito atencioso comigo, diferente de outros profissionais com quem tive que me relacionar durante todo o procedimento. Quando deu certo foi um grande alívio e tive a certeza de que agora era pra valer: a Clarinha estava vindo ao mundo. 

      Mas com tudo isso, me pus a pensar no porquê de as pessoas fazerem tanta questão de perguntar a nós, mamães: “- Foi cesárea, ou parto normal?” Isso aconteceu muito, principalmente nos primeiros meses de vida da Clara. Pessoas que eu nem conhecia, às vezes na clínica médica, ou em muitos outros lugares, puxavam qualquer assunto, elogiavam minha filha com um: “que linda” ou “que fofa” e já seguiam com a tal pergunta do parto. Minha vontade era perguntar que diferença isso faria na vida daquela pessoa, mas respirava fundo e respondia a pergunta calmamente, e com muita vergonha. Sim, vergonha por ter tido uma cesárea, pois era como se eu não tivesse me esforçado, como se não tivesse pensado no bem que o parto normal tem para o bebê, como se só tivesse pensado em mim (porque claro, para muitas pessoas a cesárea parece uma opção pra mãe se livrar das dores do parto. Parece uma atitude de quem só pensa em sí, como se ela fosse tranquila e sem complicações nenhuma).

      Toda a campanha que existe a favor do parto normal – que é totalmente necessária – por vezes acaba colocando uma mãe contra a outra. As que tiverem seus filhos naturalmente versos as que tiveram por meio de cesárea. Li uma vez um post em outro blog também de maternidade que falava sobre o quanto as pessoas julgaram a cantora Sandy por ter tido cesárea, logo ela que era ‘toda certinha’, enquanto que surpreendentemente Wanessa Carmago, ‘a mais rebelde’ teve seu parto normal. Isso me parece tão absurdo que faltam-me palavras pra descrever tamanho repúdio desse tipo de pensamento. Mas vou deixar algumas perguntas reflexiva para aquelas pessoas que pensam dessa forma:

      Será que ser uma péssima mãe está mesmo ligado ao fato de eu ter tido um filho de parto cesárea?

      Será que para uma mãe ser boa ela deve sofrer e passar por dores, caso contrário não será tão heroína?

      Será que as pessoas não param pra pensar, que muitas mães que tiveram cesárea, assim como eu, tentaram um parto normal, passaram por todas as dores do trabalho de parto e precisaram ir para uma cesárea de urgência para salvar a vida do bebê?

      Será que estas mesmas pessoas não pensam que uma gestante sente medo sabendo que passará por uma cirurgia de grande porte, na qual sete camadas da pele são cortadas (pele, tecido celular subcutâneo, aponeurose dos músculos, músculos reto abdominais, peritônio parietal, peritônio visceral e útero).

      Será que parece legal ter que permanecer 12 horas deitada na cama após a cirurgia e sentir uma dor inexplicavelmente forte, quando obrigatoriamente tiver que se levantar ou simplesmente tossir, espirrar, ir ao banheiro e tomar banho nos próximos quatro dias – pelo menos – após o parto, e tendo que esperar dias para poder voltar ao seu ritmo de vida normal? 

      Será que aparenta ser agradável ter que tomar uma série de remédios e analgésicos para as dores, recuperação e antiflamatórios?

      Será que ninguém imagina que o pós-operatório é muito delicado e que assim como eu, você pode pegar uma infecção grave, e ter que ficar por cinco dias ardendo em febre, com calafrios, tremores e abscessos que fazem você ter que ir inúmeras vezes ao médico para exames, curativos e drenagem, tendo ainda que obrigatoriamente deixar em casa com outra pessoa seu bebê recém-nascido que depende de você até pra se alimentar, e mesmo com toda essa dor, você fica no hospital preocupada, só pensando: "meu Deus, minha filha precisa mamar e eu aqui!"

      Será que é impossível imaginar que quando uma mãe dá a luz a seu bebê, quer se preocupar em cuidar dele, conhece-lo e amá-lo e quanto mais impecílios físicos, mais difícil essa tarefa se tornará? 

      Será que depois de tudo isso você ainda continua considerando menos mãe todas as mulheres que passaram por uma cesárea?

      Continuarei defendendo o parto normal, pois seus benefícios são comprovados e inquestionáveis, mas desmerecer quem não pode passar pelo mesmo procedimento, jamais!

      Crédito foto: shutterstock

      Cesárea x parto normal

      A mãezinha

      Bruna Brenneisen

      Publicitária, 23 anos, mãe da Clarinha e do Francisco, e idealizadora do projeto Mãezinhas.com

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  • Minha primeira tatuagem da vida não poderia ter maior significado: eu e minha mãe juntas, enfrentamos nossos medos e registramos na pele pra sempre o nosso amor infinito uma pela outra. Isso é tão expressivo e cheio de significado pra mim que me faltam as palavras. Obrigada mamãe por confiar nessa filha doidinha que tanto te ama! 
Trabalho do super talentoso @ciriuscubas que fez com muito carinho e soube acalmar e trazer confiança pra mim e mamãe. Se você é de Joinville, tá super recomendado! 
#tatoo #mãeefilha #mãeeamiga #maternidade
  • Alguns meses atrás uma conhecida viu umas estrias branquinhas em minha perna, marcas da gestação da Clarinha. Ela olhou pra mim e disse com cara de espanto:
  • Bagunça e cumplicidade. A gente vê por aqui. ♡ #maternidade #mãedemenina #mãedemenino #mãededois #irmãos
  • Sobre ter uma afilhada bailarina! Difícil não ser uma madrinha bobona e orgulhosa assim! ♡ #afilhada #bailarina #dinda #amordemadrinha
  • E se minha moreninha fosse loirinha do cabelo liso!? Essas e outras bobiças (como a Clarinha cantando Anitta) lá no meu Stories. <3 Bom domingão! 
#filha #domingo #maternidade #momblogger
  • 7 de setembro é muito especial pra mim pois é o dia do aniversário da minha mãe. Mulher feita de coragem, força e determinação. Alguém com um coração que quase não cabe no peito, de tão amável, carinhoso e solidário. É exemplo como filha, esposa, mãe, avó e mulher. É muito mais do que eu mereço, mas tudo que eu preciso pra ser quem sou. Parabéns mamãe! ♡
  • Momento mamãe babona admirando a filhota linda. Incrível que este sentimento perdura por toda a vida de uma mãe. A gente só aprende a lidar melhor com a situação, mas tem horas que é difícil se conter não é mesmo!? Rs 
#maternidade #filha #mãedemenima #circodochico
#mãebabona
  • Sempre que perguntam a mim e meu esposo quantos filhos pretendemos ter, nós respondemos prontamente que: “4 ou quantos Deus quiser enviar”. Só tem um momento que eu repenso de verdade essa resposta: quando um dos meus adoece. Entre tantos desafios da vida materna e paterna, nenhuma dificuldade é maior do que ver um filho doente. Crianças não deveriam adoecer nunca, mas por algum motivo que talvez seja difícil de compreender isso acontece. 
Essa não foi uma semana fácil, mas graças a Deus, no início da tarde uma frase simples me fez sorrir novamente:
  • Partiu comemorar o primeiro aninho do meu pequeno  no Circo do Chico. Make e hair pela talentosíssima @isa_davila ♡ #maternidade #circodochico #1ano
  • Me desmancho nessa palhacinha! ♡
#maternidade #vidademãe #mãedemenina
  • Tá chegando o dia de comemorar o 1 aninho do meu pequeno! Ah que delícia viver cada momento, cada etapa, cada detalhe! ♡ #ansiosa #circodochico #maternidade #vidademãe
  • Depois de uns dias offline curtindo 100% e exclusivamente as outras coisas boas da vida, resolvi entrar no Instagram pra ver as novidades, eis que o meu celular escolhe e posta uma foto SOZINHO, tipo se uma tecla de
  • Bruna

    Brenneisen

    QUEM É ELA?

    Publicitária, 24 anos, mãe da Clarinha e do Francisco.

    É casada com Darlan, um papai designer e empreendedor muito dedicado, que não poupou esforços para dar vida a este grande projeto, chamado mãezinhas. Apaixonada pelas palavras escritas, criou o blog para compartilhar das experiências maternas com outras futuras e atuais mamães. Seu maior sonho sempre foi ser mãe, e torná-lo real dia após dia, torna-se uma grande e maravilhosa aventura da vida real, encarada corajosamente por tantas e tantas mulheres pelo mundo a fora.

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