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      O fim de um importante ciclo: o de amamentar

      05/06/2018 POR Bruna Brenneisen

      3 anos e seis meses. Esse foi o tempo em que o meu corpo serviu como instrumento de alimento para aqueles que saíram das minhas entranhas. 42 meses consecutivos onde diariamente, inúmeras vezes, eu amamentei meus filhos

                A história tem início com a Clara, minha primogênita, que nasceu em outubro de 2014, e me apresentou um universo que obviamente eu não conhecia até então: o da amamentação. E que universo! Que espetacular! Amamentar é natural e fisiológico, é verdade, mas totalmente extraordinário.  Só eu e Deus sabemos o que passei pra conseguir amamentar. Recordo-me, como se fosse hoje, das manhãs, tardes e noites que passei com a Clara recém-nascida em meus braços, tentando incessantemente dar de mamá. Chorar era inevitável, e enquanto ela se esforçava pra se alimentar eu me esforçava para que ela não sentisse meu sofrimento, mas era totalmente em vão, a dor era intensa e as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Tive mastite, um processo inflamatório da mama, então meus seios sangravam, ficavam cheios de hematomas e eu ardia em febre. Meu marido e minha mãe não aguentavam me ver sofrer daquela forma, e tentavam me acalmar, sugerindo a possibilidade de dar algum complemento a pequena. Mas eu não admitia. Tentei, dia após dia, noite após noite, lágrima após lágrima, afinal, eu já tive que passar por uma cesárea e não pude dar à luz a ela de forma natural, como sempre sonhei, então parecia-me uma total negligência minha se “além disso”, eu ainda não a amamentasse no peito, afinal os benefícios da amamentação são inúmeros. Hoje, acredito, que eu seria insistente mesma forma (ou quase), por esse motivo, pensando nos benefícios que esse gesto teria para o bebê, mas não pensando na culpa que eu precisava acalmar. 
                O fato é que depois de um mês, eu não chorava mais para amamentar. Não me sentia mais torturada, a dor passou a ser tolerável. Com três meses já não sentia mais nada. Amamentar passou a ser bom! Eu e minha filha havíamos conseguido, vencemos juntas. Eu poderia amamentá-la como sempre sonhei.  E valeu a pena, viu? Como valeu! Clara foi amamentada até os exatos 2 anos, 6 meses e 1 dia, com essa idade, ela virou pra mim, numa tarde de domingo na cama do quarto enquanto fazíamos uma sessão cinema em família, e disse: “-Mamãe, sou uma mocinha e não quero mais mamar.”Assim, do nada, sem nem ao menos ter dado algum indício desse desejo antes. Ali ela decidiu e nunca mais voltou a mamar. Eu não a tinha privado da amamentação durante os 9 meses em que carreguei o irmãozinho dela na barriga, tampouco depois que ele nasceu. Se tenho 2 seios posso amamentar 2 seres ao mesmo tempo, e foi assim que fiz até o dia em que minha “mocinha”decidiu que era sua hora. Foi tudo natural, como deveria ser, no tempo dela, sem traumas. Eu senti que um vínculo forte entre nós encerrou-se naquele dia, mas vê-la tão certa dessa decisão me fez também ter a certeza que aquele era o momento ideal. 
                Acredito, sem dúvidas, que o que me “consolou” foi o fato de o Francisco ainda mamar. Ele tinha 8 meses de vida e eu sabia que mamaria muito tempo ainda, então, de alguma forma eu manteria esse forte elo com um de meus filhos ainda. E assim foi, até que o Francisco completou 1 ano e 7 meses e a decisão de parar dessa vez não veio de quem mamava. Eu, depois de alguns meses pensando nisso, tomei a tão difícil decisão. Francisco nunca chupou chupeta, diferente da Clara que o fez durante os seus meses iniciais de vida. Francisco preferiu usar o seio da mamãe como meio para dormir tranquilamente, esse era o seu “bico”. Até os seus 16 meses de vida dele éramos adeptos a cama compartilhada, então, ele passava a noite inteirinha mamando, ou melhor, simulando a mamada enquanto dormia. Não podia me separar por 1 minuto sequer. Foi então que, quando fiz a transição para o seu quartinho, sofremos muito por conta do seu costume para dormir. Nem ele dormia, nem eu. Passei mais de um mês sem dormir a noite, parece mentira, nem eu mesma consigo entender como fiquei 1 mês inteiro sem dormir a noite, sendo que eu não colocava o sono em dia durante o dia. Eu passei mais de 1 mês sobrevindo entre cochilos que não somavam 1 hora por noite. Cheguei ao meu limite. Estava esgotada! Aquilo que era motivo de alegria voltava a me trazer frustração, como no início da história. Foi então que, depois de muita pesquisa, oração, e boas conversas com meu médico, tomei a decisão. Senti no coração, lá no fundo, e fui tomada da mesma certeza que a Clara tomou quando parou de mamar, e me inspirei nela pra dizer: “é o momento, já chega”.
                Pra mim foi difícil até o momento dessa decisão, porque eu sabia que, de uma vez por todas, estaria rompendo esse vínculo entre nós, esses momentos que eram tão sagrados, que nos conectavam chegaria ao fim. Eu sempre soube que isso chegaria um dia, mas quando chega é difícil, principalmente porque eu gostaria que com o Francisco fosse como com a Clara, que partisse dele e não de mim. Depois de tomada a decisão, saberia que não poderia mais voltar atrás. Se eu não estivesse 100% firme e decidida, ele sentiria, insistiria pra que eu cedesse, e, cedo ou tarde, eu cederia. Mas eu não tinha mais disposição para brincar, cuidar e zelar por eles durante o dia, pois não dormir a noite, trabalhar de dia e fazer minhas obrigações como mãe, mulher, esposa e ser humano, rs, não estava sendo compatível. Foi então que percebi que meus filhos precisavam de uma mãe saudável, fisicamente, psicológicamente e emocionalmente. Meus filhos PRECISAVAM que eu me tomasse uma decisão. E eu tomei! Numa sexta-feira a noite, eu sentei com o Francisco no sofá da sala, olhei nos olhinhos dele e expliquei que a partir daquele dia em diante a mamãe não poderia mais amamentá-lo, porque assim seria melhor para nós dois. Mostrei meus seios envoltos numa faixa, e disse que amamentar estava fazendo mal a mamãe, e que causava dor, disse que ele já era um menino forte, e não mais precisava disso. No áuge dos seus 1 ano e sete meses, ele entendeu cada uma das minhas palavras, e começou a chorar, não um choro berrante, estridente, mas um choro silencioso feito apenas de lágrimas. Ele abraçou o papai que estava segurando sua mão, e adormeceu chorando no seu colo. Desde aquela noite em diante, ele nunca mais pediu. Ele que mal me via e já abaixava minha camisa para mamar, sabia que isso não mais o pertencia e encarou essa situação como nunca imaginei.
               E mais uma vez vi o quanto não podemos subestimar nossos filhos. Mais uma vez vi o quanto o diálogo pode ser eficiente, pode fazer entender, pode acalmar, trazer paz e conforto. Mais uma vez eu vi o quanto preciso ser forte para tomar uma decisão e que nossos filhos se espelham em nós, e se não passarmos segurança, eles não se sentiram seguros em qualquer mudança. Mais uma vez vi que não preciso me culpar tanto, que não preciso fazer algo que me faça sofrer tanto. 
                Agora escrevendo esse post que vai chegando ao fim, consigo entender a grandiosidade desse tempo em que vivi tendo o privilégio de ceder integralmente e exclusivamente o leite materno até os 6 meses de vida de cada filho, e findar cada ciclo no seu tempo certo. O que construímos juntos durante esse tempo tão precioso, nunca nos será tirado! O cheirinho do leite azedo nas roupinhas deles, o toque das mãozinhas pequenas de meus filhos me acariciando enquanto eram amamentados, o olhar deles compenetrados nos meus e a carinha deles de felicidade verdadeira quando esse momento chegava, nunca me sairão da memória e do coração.


      O fim de um importante ciclo: o de amamentar

      A mãezinha

      Bruna Brenneisen

      Publicitária, 23 anos, mãe da Clarinha e do Francisco, e idealizadora do projeto Mãezinhas.com

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  • Ah essa gargalhada deliciosa me faz TÃO feliz! 💕 
#amigas #mãedemenina #bailarina
  • “- Vamos tirar uma foto!?” Diz ela com a pose pronta! 
Amo.

#mãedemenina #amormaior #maternidade
  • Primeira vez no palco do Centreventos Cau Hansen, por onde passam tantos bailarinos e bailarinas incríveis todos os meses. 
Que alegria é ver a alegria dela!

#amormaior #bailarina #filha #festivaldedançasacra
  • Porque hoje é dia deles! ❤️
Estou sem tempo pra escrever tudo que gostaria, tudo que aprendi e aprendo todos os dias vendo a cumplicidade desses dois, mas não posso deixar de postar essa foto que apesar de tão simples, carrega tanto amor em sua verdade!

#diadoirmão
  • TBT dessa viagem especial, regada a momentos especiais, com pessoas mais especiais ainda! ❤️ #happy #família #TBT
  • Como diz o sábio e amado @mundobita
  • Acordar pela manhã e ter a tua preguicinha dengosa que pede por carinho.
Ter o teu cheiro em minhas roupas. Ter a tua alegria de viver.
Ter a tua massagem carinhosa regada a (muito) creme.
Ter a tua piscadinha charmosa pra me conquistar.
Ter o teu sorriso engraçado feito desses dois dentões separinhos.
Ter a tua personalidade forte que não gosta de ser contrariado.
Mas ter também a tua docilidade que acalma a alma com um abraço inesperado.
Ter a tua força em superar teus próprios desafios.
Ter o toque macio dos teus dedinhos acariciando o meu rosto.
Ter a tua gargalhada gostosa que contagia mesmo nos dias difíceis.
Ter a tua alegria em imitar um dinossauro pra me assustar.
Ter o teu dialeto tão exclusivo que somente nós dois conseguimos entender.
Ter a tua disposição para brincar e se divertir mesmo muito tarde da noite.
Ter os teus beijinhos gratuitos a qualquer hora do dia.
Ter alguém pra me inspirar. Pra me revelar e me fazer ir além.
Te ter.

Dizem por aí que a maternidade nos tira tanta coisa, mas hoje eu só sei enxergar tudo que ganhei. Tenho o mundo inteiro comigo!

Feliz 2 anos de vida!

#2anos #aniversário #mãedemenino
  • Há dois anos atrás me despedia dessa barriga que carregava o bem mais precioso que se pode existir. Carregava o amor dentro de mim. E ele cresceu, cresceu, até que num 17 de agosto transbordou. 
É amor puro. Na forma mais sincera que se pode existir.

#reflexiva #mãedemenino #amormaior
  • Essa semana meu little boy completa 2 anos. Parece que só hoje acordei com esse choque de realidade. Meu Deus! 
Tempo, não se apresse, que eu não tenho pressa de te ver passar. 
#filho #mãedemenino #amormaior
  • Bruna

    Brenneisen

    QUEM É ELA?

    Publicitária, 24 anos, mãe da Clarinha e do Francisco.

    É casada com Darlan, um papai designer e empreendedor muito dedicado, que não poupou esforços para dar vida a este grande projeto, chamado mãezinhas. Apaixonada pelas palavras escritas, criou o blog para compartilhar das experiências maternas com outras futuras e atuais mamães. Seu maior sonho sempre foi ser mãe, e torná-lo real dia após dia, torna-se uma grande e maravilhosa aventura da vida real, encarada corajosamente por tantas e tantas mulheres pelo mundo a fora.

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